quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Eu acredito!





É possível mudar as coisas, mudar seja o que for,  e o Povo tem esse poder sem ser nos dias das eleições. Com grande poder vem sempre a grande responsabilidade, sendo algo cliché não deixa de ser verdade e também válido, tanto para o Povo como para cada indivíduo que o compõe, pelo menos no mesmo grau até que deve obviamente ser exigido aos que ocupam cargos de poder.
Eu sei que sou algo idealista e paradigmático mas genuinamente acredito no que escrevo, no que defendo, sempre com esperança no melhor e de poder melhorar pelo caminho. Manifestações são vitais para qualquer País que se considere democrático, livre, e com liberdade para o seu povo, mas no seu verdadeiro termo isso não implica sequer falar ou berrar o que é normal e expectável durante uma manifestação, quanto mais seja o que for que implique violência (mesmo que só verbal), vandalismo ou destruição de bens (tanto privados como públicos).

Hoje, mais uma vez, muitos foram os agentes que provocaram o que infelizmente uma vez mais acabou em violência e confrontos entre manifestantes e a Polícia.
Os senhores que convocaram e conduziram as greves, juntamente com os senhores de alguns partidos que tanto deram a cara, deveriam assumir as responsabilidades do culminar dos acontecimentos, ainda mais quando se orgulham de falar em “países irmãos” (alguns com regimes do pior) e de “manifestantes profissionais” (estou a citar) que viajam de propósito para vir incitar violência e instigar outros ao mesmo (curiosamente sempre de cara tapada) mas quando estavam prestes a dar mais uma entrevista em directo para a Televisão e se sentem ameaçados (na mesma linha da frente onde se orgulham de andar o dia todo a instigar) ... desapareceram, os líderes dos movimentos, dos partidos, e até os profissionais ... e ficaram todos os outros (que no fundo são os mesmos mas não percebem).
Pena tenho de muitos dos manifestantes, que acreditam como eu em algo melhor e que arriscaram em tentar, eles existem , eu sei, conheço bem vários, muitos.
Não me manifestar não é ser contra, bem pelo contrário, muitos dos que se manifestam representam-me melhor do que eu alguma vez conseguiria fazer.
Eu não conseguiria calar-me, como não calei, nas poucas manifestações que fui, e se sentir vontade de o fazer no futuro, cuidado! Não pela violência, não pela agressividade, ...
Como exemplo: Bem recentemente, no dia em que a Chanceler Alemã cá veio, a “tia” Ângela, acabei por ser manifestante à força já que fiquei retido naquilo a que se chamou operação de segurança, fecharam tudo e mais alguma coisa incluíndo o espaço aéreo nacional, cortesia concedida a poucos líderes (e que não abonam a Chanceler). No meio da coisa toda, que se resumia a cerca de 50 manifestantes que incluíam por exemplo os Homens da Luta, acabaram também apanhados nos cortes de ruas, estradas, caminhos na mata, ... e até do ar ... aparecem dois turistas que por serem alemães começaram por ser verbalmente agredidos e que graças a rápida e pronta intervenção da minha parte (bem brusca e agressiva) por ali ficou, ainda mais quando o corpo de intervenção da PSP me acabou a ajudar.
Isto a esta escala. Eu, numa manifestação como a de hoje, acabava pelo menos morto. Pelo menos.
Eu acredito que é possível um povo manifestar-se sem provocar um único distúrbio,  desde que unido e a reclamar ou exigir algo que se traduza numa ideia simples e comum a todos e até já fizemos uma revolução assim. A organização e o planeamento bem como a noção de responsabilidade do que se tratava talvez tenha relevância, e actualmente tal não me parece possível, não por falta de descontentamento mas por não se saber bem o que se reclama, não sem ser do contra. Contra tudo o que anda a ser feito, contra os cortes, contra os despedimentos, contra o desemprego, contra a austeridade, contra a troika, ... lá está, do contra. Pelo meio, seja qual for a razão, o deflagrar, o ponto de ignição, a malta anda a perder a razão. Os manifestantes têm de ser os primeiros a reagir e violentamente contra qualquer tipo de ameaça interna ao objectivo comum.
Eu acredito numa manifestação onde o primeiro tipo a começar a destruir uma calçada e atirar a primeira pedra à polícia não atira a segunda, mas porque os manifestantes o impedem e, ou ele pára imediatamente e adere ao movimento ou, temendo a reacção dessa multidão acabe detido para a sua própria protecção e a enfrentar a justiça pelos crimes que cometeu. Se calhar é pedir muito, mas para mim, uma manifestação dessas estaria sempre a legitimar-se, a credibilizar-se, e não justificaria nunca uma carga policial, por maior que fosse, e por mais que não dispersasse, e para mim, isso seria utilizar o maior poder de todos. Mais, se num protesto exemplarmente pacífico for dada uma ordem de carga ter-se-ia muito mais probabilidade de os Polícias  não obedecerem. Muitos deles, se pudessem, estavam do outro lado se tivessem garantias de não acabar envolvidos em desacatos como tantos acabam. Esse nível colocaria as coisas num grau que obrigaria tanto a polícia como os políticos a procurar ceder.

Hoje aquilo que poderia ter sido mais um bom exemplo de como por cá as coisas são diferentes acabou, uma vez mais, manchado. Não interessa agora explicar e desculpar com o facto de terem sido só uns tantos a provocar, bem sei que é verdade, dos extremistas aos fanáticos, passando pelos ditos manifestantes profissionais, muitos mais foram aqueles que permitiram a violência e os confrontos, todos os outros, que sobre o que acontecia bem à frente dos seus olhos não se manifestaram.
Compreendam agora que os outros, que até podem não se ter manifestado, se manifestem agora desde que de um modo que não recorra à violência, à destruição de bens privados e públicos, que não implique violência física para com ninguém,  enfim, desde que feita com civismo, mesmo que isso implique algum exagero (seja em analogias, em metáforas ou até em hipérboles) nos termos, nas palavras (o dicionário é sempre um bom consenso para rever significados das mesmas), vejam-no como um estilo linguístico utilizado por cidadãos civilizados para se exprimirem e usufruírem assim do seu direito à liberdade de expressão, sem custos (só mentais) para todos, sejam individuais ou colectivos  (o Estado - conjunto dos mesmo indivíduos citados atrás).
Tudo coisas que não se pode dizer que se tenham visto muito hoje ... mas que ficou para a história, lá isso ficou!

terça-feira, 13 de novembro de 2012

O meu primeiro filho - O Douradinho

O meu primeiro filho foi um cão, lamento mas é a verdade. Já antes tinha tido animais, mas ter animais na casa dos pais, com os pais, não é bem a mesma coisa que ter um cão ... sozinho, vivendo sozinho. E as Rãs, os Hamsters, as formigas e os pássaros não requerem a mesma atenção ... nem 3 passeios por dia, faça sol chuva ou neve ....
Muitos pedem aos Pais para ter um cão e se começam por aí ou os vossos Pais percebem a importância que é ensinar a ser responsável pelo animal ou está o caldo entornado. Muitos dos que começam com pedidos aos Pais para ter animais até fazem grandes manifestos e exposições de teorias e de promessas, tipo campanha política, cheia de promessas, de boas intenções, mas após as eleições ganhas (cão em casa) normalmente tudo muda, ou, a bem da verdade, nada muda.


Conheço até vários casos de malta que quase que impõe aos pais o cão ... numa casa que, sendo dos Pais, que nunca quiseram ter animais, e que após uma vida inteira a trabalhar para conquistar algum tipo de paz certa e garantida (que cada vez mais está difícil de obter), acabam a pagar um preço que não lhes deveria ser imposto muito menos ao animal ... e o que não falta é casos em que o animal acaba dado ou até mesmo abandonado ... quando afinal o ser humano que despoletou tudo deveria acabar a pagar até ao fim de vida do animal as despesas que ele acarreta, talvez assim percebessem para a frente que a responsabilidade de ter um animal não pode nunca acabar, seja porque vai para fora trabalhar, porque quer ir de férias, ou só porque mudou de opinião ... pode fazê-lo, não deveria era condenar nada nem ninguém a pagar, porque as responsabilidades não se delegam (quanto muito funções).
E de um modo geral a malta que passa por isso, mais ou menos, seja qual for o grau, não pára para primeiro que tudo reconhecer o que fez ... quanto mais aprender e isso limita-os a eles e aos que os rodeiam, quanto mais o animal ... para todo o futuro que tiverem.
Eu, ao adoptar (a importância de se tratar as coisas pelos nomes) , aceitei que TUDO na minha vida teria de passar a ser ... diferente. O meu dia-a-dia passou a começar bem mais cedo, chegando a acordar às 6 da manhã para poder passear e  treiná-lo um bocadinho, nos primeiros anos todos os dias ao fim do dia tinha sessão de treino de pelo menos duas horas, e muitos dias tinha de ir a casa à hora de almoço para o passear. As minhas férias passaram a ser diferentes e tê-lo sempre em conta, existindo excepções em que vou para fora e ou o deixo no Hotel ou com alguém (e não é qualquer um/uma que fica com o Douradinho (nome de código para a net).


O mais difícil que passei na minha vida com animais domésticos foi o ter de aceitar que não tinha condições para tomar conta de um cadela (após esta ter sofrido um brutal acidente e ter ficado para sempre limitada) – até foi fácil no que toca à práctica, graças ao meu Pai (um exemplo perfeito no que toca animais, não fosse ele na altura líder de várias Associações Ambientais e voluntário em acções várias de estudo, investigação e também de reacção ... )
Talvez por isso quando se divorciou e vi “sobrar” um cão ... me tenha doído tanto, Ele é que não tinha culpa de nada e ali estava ele, sozinho e triste, numa casa outrora cheia de vida e que agora não tinha nada nem ninguém ... estando garantida a alimentação. Muitas foram as vezes que, chegando à sexta-feira, eu arrancava para o Alentejo para por lá ficar até Domingo à noite ... nesse Verão as minha férias foram lá passadas, no total, e quando lhe encontrámos um Lar (era impensável trazê-lo para a cidade e enfiá-lo num apartamento), e eu passei a noite a chorar por saber que provavelmente nunca mais o veria ... ele passou a noite debaixo da minha janela ... a ganir e uivar ... (doía ainda mais!), marcou-me para SEMPRE! Mas fiz o que era certo para Ele e não o que era fácil para mim!
Assim perceber-se-á como aceitei a decisão de adoptar o Douradinho – com medo das consequências – já que não tive grande voto na matéria ... e quem os teve não o adoptou ... nem vive com ele ...
O Douradinho é hoje um cão com quase 11 anos, sempre foi calmo e extremamente educado, não empina, não salta,  passeia solto e obedece (actualmente muitas das vezes vai de trela mas apenas por estar quase cego e o poder ajudar a não bater tanto contra tudo e mais alguma coisa ...), não deixando por isso de ser um cão feliz, fartou-se de viajar, passear e explorar em caminhadas de horas, e até banhar-se em muitas das praias da Costa Alentejana (onde chegava a mergulhar por baixo das ondas, sozinho e por iniciativa) e piscinas de amigos que lhe achavam imensa piada já que nadava e brincava com a malta dentro de água, chegando a ficar comigo só a flutuar e apreciar o fresquinho tipo banho de imersão ...  que vida!
Vou mais longe, o douradinho não ladra (só quando é mesmo preciso!) e por norma não passa a estrada sem autorização ... enfim, é educado, comporta-se! Óbvio que se passar uma “miúda” (leia-se cadela) do outro lado da estrada ... muda tudo, actualmente fica meio perdido por não ver quase nada ... 


Contigo meu Douradinho querido, aprendi a diferença entre dizer que se tem um cão ... e ter de facto um cão ... e isso prende-se com o facto de se fazer o que tem de ser feito, com estar presente e com dar o meu melhor! ...
Mais importante ainda, aprendi a educar aprendendo mais do que ensinei ... e mesmo com os animais os humanos têm TUDO a aprender, já que os únicos que se autointitulam de inteligentes e racionais ... são os que nos condenam diariamente à extinção, replicando e insistindo em comportamentos insustentáveis e NADA racionais quanto mais inteligentes.
Contigo aprendi a importância dos pequenos passeios ... mesmo estando cansado, chateado e sem humor ... mesmo estando um frio de rachar e/ou a chover.
Actualmente o douradinho é o irmão mais velho, e já reconhece o Baby F. (já o lambe e já se deita no chão da sala ao seu lado) mas já está a entrar na parte menos feliz (ou mais chata) ... já que após uma vida inteira com displasia, com cataratas, com fadiga muscular, ... mas sempre saudável e feliz, manter essa qualidade de vida será agora o desafio, e dentro do que me for possível e talvez impossível, continuarei a tentar ... e a dar o meu melhor! Mas já tenho saudades do meu Companheiro ... MUITAS!
Agora já passa o dia em lamentações ... seja de atenção, de mimos, de passeios ... já que sente que tem menos de nós ... e isso entristece-me apesar de ser normal e expectável ainda mais vindo de um Labrador.


Isto que aqui leem é nada mais nada menos, que o aceitar de algo natural e inevitável, para que em Vida não se perca de vista nada do que realmente importa, quem quer procura razões (para conviver mais, mimar mais, amar mais, ...) quem não quer arranja desculpas (está cansado, está frio, ..  tem outras coisas para fazer .... etc.) e isso funciona também para com relações humanas ... aproveitem enquanto podem, a companhia dos vossos companheiros, dos Amigos, dos que optam por vocês ... humanos ou não!
Procurem, por opção, quem querem encontrar ... e passar tempo, antes que seja tarde demais, ou aceitem que não optam por vós ... e optem antes por quem retribui ... a reciprocidade é importante.
E, se for preciso, quando for preciso, façam ... o que for preciso por esses que o merecem, mesmo que isso seja segurar-lhes por exemplo a mão, ou a patinha, ...  não sair do lado dele ... como já antes fiz ... não foi fácil, não, mas seria muito mais difícil viver não o tendo feito, seria muito mais difícil viver comigo ... como muitos fazem ...
Já tenho saudades Tuas!


terça-feira, 6 de novembro de 2012

Desta vez é diferente, ou não!? Quantas vezes pode o mesmo País falir?



Mas afinal tudo e todos podemos falir? Quantas vezes?
O que é falir?

Falir, pelo menos de acordo com aquele que é o código linguístico para a nossa língua – o dicionário (tão fora de moda mas nem por isso menos importante para se falar, comunicar e tratar as coisas pelos nomes com objectividade e sem ruído, ter boa comunicação).
Falir significa faltar aos compromissos, minguar, desfalecer, no comércio é quebrar (ou vai ou racha ...), suspender os pagamentos ...  e actualmente tudo tem falido ... empresas, pessoas e até países ... mas não é novidade nenhuma, a malta fez foi questão de não se lembrar já que sempre tivemos (a Humanidade) o terrível hábito de remediar, de desenrascar algo ... e chutar a bola para a frente ou empurrar com a barriga ... e voltar mais ou menos ao mesmo senão só ao mesmo de sempre. Expressões tão oportunas ... mas que nos continuam a condenar sempre à repetição do mesmo ... e aprender é passar pelo mesmo e fazer diferente! ... simples.
É preciso parar, assumir os erros, as verdades inconvenientes, assumi-las e reconhecer que todos temos de algum modo responsabilidades (só assim se ganha consciência de um ou vários defeitos/pontos fracos que mais à frente poderão ser corrigidos) e aí a nossa cultura (Portugal) é a oposta do que falo e do que é preciso. O Português é o perito no desenrascanço ... o que é paradoxal com o planeamento, quanto mais com a implementação, o controle, a avaliação .... (não estamos por isso condenados, mas temos nos genes a arte do não fazer ... em vez disso lá vamos fazendo ... mas esse é um tema que abordarei numa outra ocasião em breve.

Não consegui encontrar muita informação anterior a 1800 mas desde então, só a Espanha já entrou em incumprimento treze vezes e a Alemanha oito. As Falências de Estados são bem mais normais do que aquilo que nos passam ... Não sendo por isso menos graves, menos sérias, ou menos relevantes até porque têm consequências brutais para as pessoas, para o povo.
Um perdão de dívida, a recusa de pagamento aos credores ou a insolvência de um país são eventos que constituem muito mais a norma do que a exceção na história financeira moderna do Mundo mas para isso saltar à vista é preciso estudar, investigar e ir buscar informação, filtrá-la e analisá-la ...
Já não nos parecemos lembrar do facto de muitos dos Países já faliram, recorde-se por exemplo a falência da Argentina (em 2001), é normal já que bem mais recente temos aquela que foi só a maior reestruturação de dívida alguma vez feita (Grécia em 2011) mas estes foram casos amplamente debatidos e considerados como eventos anormais, extraordinários, a realidade é que as vagas de falências de nações são afinal fenómenos cíclicos e até habituais se olharmos para a História, são consequências ou danos colaterais de algo que afinal não se fala, nem se assume, quanto mais muda e evolui.
As duas mais recentes vagas de falências de países aconteceram quase seguidas em duas décadas (80 e 90 do século passado) com as economias emergentes da América Latina mas anteriormente, nos períodos da chamada Grande Depressão e no pós-Segunda Guerra Mundial, temos outra vaga que afectou as economias mais desenvolvidas, nomeadamente, as da Europa. A próxima onda poderá de facto vir a atingir o centro da moeda única europeia e até o centro da União Europeia. Grécia, Portugal, Hungria, Eslovénia, Espanha e Itália estão entre os alvos mais prováveis.
Pesquisando e estudando encontram-se alguns factos curiosos para contrastar, já que só nos últimos 200 anos registaram-se mais de 250 falências de Países, alguns várias vezes. Em cerca de 200 anos, por exemplo, a Grécia, passou mais de metade desse tempo falida ou a incumprir (100 anos) dependendo de credores e de acordos especiais que acabaram por nunca ser aproveitados para corrigir aquilo que é a doença, cada vez mais crónica, desta cultura não sustentável e por isso não viável mas que persiste e é cada vez mais norma ... e aí de facto Portugal tem algumas parecenças e deveria aprender até olhando para os erros dos outros (por vezes é mais fácil ver nos outros o que afinal nós também fazemos).
Desde 1800 até aos dias de hoje, Portugal entrou em incumprimento seis vezes (3 no pós 25 de Abril tendo a maior intervenção e perda de soberania do Portugal que hoje existe ocorrido sob a égide do Sr. Mário Soares (Não anula TUDO o que fez pelo País) mas parece já não se lembrar de ter cortado ordenados, subsídios, anulado direitos aos cidadãos, por necessidade real e imposta no contrato – ou memorando de entendimento -  por ele negociado e implementado enquanto Primeiro Ministro), e também aí, perdemos a oportunidade (como sempre) para evoluir. A Alemanha e a França faliram oito vezes e a Espanha consegue a proeza de ter falido13 vezes. Os espanhóis, aliás, foram os que mais processos de falência perante os seus credores registaram em todo o Mundo até hoje. Mas nem só de “maus” se faz este “filme” já que países como os EUA, Canadá, Reino Unido, Holanda ou Suécia cumpriram sempre as suas obrigações perante os seus credores internos e externos. Tendo aqui que se destacar que isto não representa um atestado de rigorosamente nada já que, por exemplo, os EUA têm uma dívida pública colossal (não em percentagem do PIB e sim em valor nominal real) que tem subido bastante, por várias vezes, e até o tecto máximo (limite máximo) que é possível ter de dívida pública em função do PIB, para se continuar igual ... e evitar o default, tem sido subido em função do que precisam (para quê ter um limite máximo de endividamento se não for para cumprir?).
Quando uma empresa vai à falência é uma questão de tempo e desaparece, mas as pessoas não ... e muito menos os Países, o que nos leva às perguntas - Afinal quantos anos dura uma falência? Qual o número de anos que o País em questão não pagou aos seus credores. A Grécia aparece em destaque com uma história de incumprimento único já que desde 1839 até hoje, mais de metade destes quase 200 anos foram passados em default. No top dos campeões do incumprimentos seguem-se a maioria dos Países da América Latina (cerca de 40% dos últimos dois séculos em falência).
As causas para um País acabar em default, falência ou em incumprimento são várias, mas em comum todas têm o facto de preferirem não saber, nem olhar, a doença. É preciso abordarem todos os assuntos, atacarem os problemas, e para isso é preciso que a população comece individualmente a querer ir saber, estudar, aprender, investigar, interessar-se, para que passe a fazer sentido ter que ser abordado pelos líderes ou os que se candidatam para líderes. O Povo faz o País e não ao contrário.
O que é certo é que nos últimos dois séculos esses colapsos foram sobretudo desencadeados (a última gota de água) pela queda abrupta dos preços das matérias-primas, por fugas repentinas de capitais ou choques na confiança dos investidores.
Mas de uma maneira geral ninguém aprendeu com os erros e isso já se vai ouvindo até de pessoas bem mais credíveis que eu.
As coisas mais difíceis de se ouvir são normalmente as que não podem ficar por dizer e a malta não se pode afastar da responsabilidade para consigo e com o seu País, para com os que lutaram para nos conceder este Presente, Livre, nem que seja para falar e dizer o que quer que seja. Para não ir votar porque dá trabalho, ou porque preferimos ir à praia e depois passar o tempo a reclamar como tantos que conheço. Temos de perceber que o preço da Liberdade está aí, e não serão os famosos “Eles” a pagar ... e sim Nós. Não gosto desta política de hoje, mas adoro o que a Política representa (A verdadeira), a multiplicidade é sinal de riqueza, mas sem vontade de gerar consenso e sem disponibilidade (flexibilidade) em nome de algo maior ... mais do que continuar a dissecar tudo o que nos separa ... é melhor começarmos a concentrar-nos naquela que é a zona com maior área – o que é comum (Portugal) e como torná-lo viável e sustentável (coisa que nunca foi!)
A Democracia é o regime mais caro, mas o único que oferece Liberdade aos cidadãos. Com grande poder (como o poder fazer o que se quiser com a nossa liberdade) vem sempre uma grande responsabilidade ...

Para acabar sugiro um livro que muito esclarece sobre as falência dos Países e os porquês - This time is diferente (2011), Kenneth S. Rogoff e Carmen Reinhart, ambos docentes da Universidade norte-americana de Harvard, analistas das crises financeiras passadas que chegam mesmo a referir que, ao longo dos anos, países e credores sofrem continuamente do síndrome de «desta vez será diferente», uma espécie de ilusão de que se aprendeu com os erros do passado, após uma crise, e que no futuro estes não se irão repetir. Isto, mesmo não tendo parado sequer para que se ganhe consciência dos mesmos, para depois os abordar (sem pré-conceitos nem conflitos de interesses) o que faz com que norma não se mudem os modelos insustentáveis como vivemos.
Basta olhar para as crises de incumprimento na Argentina na Grécia, ou a entre as “bolhas” das “dotcom” e do “subprime” nos EUA (eventos separados por menos de dez anos entre si), ou até para Portugal, para se perceber o quanto dura a memória de políticos e dos mercados. Como concluem Rogoff e Reinhart no seu livro: «a capacidade de os governantes e investidores se iludirem, abrindo portas a um período de euforia que normalmente acaba em lágrimas, permanece uma constante» mas vou mais longe já que também Eu e tu sofremos do mesmo ... e aí é só olharmos para a nossa história recente.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Obrigado Ritinha


Há já algum tempo que a decisão de criar um blogue estava tomada, mais do que criar um espaço para desabafo (esse já o tenho há muito, escrevo só por mero prazer). Quero um espaço onde possa fazer algo que por estes dias tanta falta faz,  falar sem tabus, sem pré-conceitos, sem o eterno conflito de interesses. Seja qual for o tema, daí o nome escolhido. E espero ter respostas, contributos, reacções, ou só outros pontos de vista, quanto mais diferentes melhor, desde que com respeito e educação.

Não gosto muito de generalizações, muito menos como atestado ou juízo, mas as analogias são importantes para nos fazermos entender, ou não!?
Será assim tão errado estar convencido de que, de uma maneira geral, todos os Homens/Humanos (homem ou mulher) têm pelo menos um ou dois indivíduos que sejam para si ... sex symbols!? Não estou a falar de se ser tarado sexual, rebarbado ou sequer de faltar ao respeito ao nosso par (ou cara metade) quando passa uma miúda/mulher gira/louca ... nada disso!
Não me lembro de alguma vez ter feito algum comentário do tipo mais brejeiro ... pornográfico ... sem respeito, até gozo muito com isso, demais para alguma vez o fazer!
Quanto muito, comento, com quem estiver, mesmo que seja com Ela - a “minha”Diva (sim é uma Diva! E nem o Snickers resolve ... mas isso é para outro “soneto”) e normalmente não o faço especialmente mais a rapazes nem raparigas ... (sim eu sou do tipo de rapaz  que não tem problema nenhum em elogiar a elegância ou “vestimenta” de outro). Se ao início da nossa relação isso era estranho (não só para ela como para quem via de fora) agora já se apercebeu que é preferível ao tipo dito normal (isto de ser normal só porque se segue a tendência em maioria ... continua a ser estranho para mim, em certos países é normal apedrejar mulheres ... é normal ...), sim o tipo normal, aquele que só tem olhos para a namorada/mulher, não quer nada nem ninguém ... que não o seu “xuxu” ou qualquer outra expressão dessas ... mas que parte o pescoço de cada vez que passa por outros (ou outras).  Aquele tipo normal que quando está com os amigos (leia-se sem a namorada) “transmorfa-se” ... muda completamente ... proferindo expressões e bocas tão complexas, ricas e cheias de conteúdo e nível ... que nem me atrevo a repetir ... enfim!
Costumo dizer ...  é só conversa! Se a sua mulher ali estivesse ... piavam fininho e ainda faziam de conta de que não viam a tipa linda que passou ... quanto mais ter coragem de fazer um comentário, genuíno e sincero ... mas com respeito ...  quanto mais com a sua cara metade!
Pois bem, eu nunca fui muito de cair só pela imagem de uma Mulher, mas claro que não sou indiferente ... todos temos os nossos George Clooney ... os nossos Brad Pitt ... ou as nossas Angelina Jolie, ... e eu desde bem puto que sempre achei a Rita Pereira (sim ... a Ritinha ...) bonita ... sempre a achei interessante (desde a altura da série – Riscos – da RTP 2 ... lembram-se!?) ... mas essas mulheres estão na nossa cabeça como uma mera referência ... um sonho ... que nem nunca vemos de perto ... certo!? Errado!

O que é certo é que acabámos por ser vizinhos ... e, de acordo com Ela, de cada vez que a Rita aparece pareço um parvo ... e desta vez teve mesmo razão!
Mas porque carga de água é que eu tinha de , pela primeira vez na minha vida, aceitar a provocação e aderir à conversa de um dos empregados do café que falava sobre ela e gozava ... (nem interessa o quê...) o que é certo é que eu acabei por comentar, em público, e com tom de gozo o estrilho que fazem os cães dela ... e nem acabei a frase ... fui interrompido com a pergunta:
 - Quais cães, estes!? ... (diz o empregado olhando para os meus pés...) ... caramba, era ela, com os cães ... que me tinham vindo cumprimentar!
Ora é claro que me senti entalado ... olhei-a nos olhos e pedi desculpas assumindo que estava justamente a comentar os cães dela ... e fugi após começar a gozar comigo próprio ....  chama-se vergonha!
O que eu fui arranjar, eu que só tinha ido buscar um copo com água ... quando me voltei a aproximar ... já só foi para ouvir ... e o pior é que durou até ao dia seguinte ...
Ok, confesso que há uma parte de mim que gostou de sentir que ela tem ciúmes ... mesmo já estando juntos à mais de 10 anos, mesmo já tendo um puto, é bom! Assumo!
O que é certo é que as Angelinas Jolies também são pessoas, humanas como as outras ... e  se nos tranquiliza nunca nos cruzarmos nem trocar umas palavras com elas ... quando nos aparecem à frente ... normalmente não corre bem ... Mas quando damos por nós e as temos como vizinhos ... nos cruzamos com elas (ou eles) ... as coisas tremem ... eu assumo!
 Tremem!? O quê!? ... O nosso instinto não sabe reagir a estas situações ... então mas afinal ela é verdadeira!? ... real!? ... e pior, acessível!?  Como lidamos com isto!? ... Eu assumo, tenho aprendido, também aí!

Mas caramba, como é possível que ela ainda duvide ... que ainda ceda aos sentimentos (a quente) ... que em parte fico feliz que tenha!
Meninas, quando os vossos rapazes/homens não comentarem abertamente com vocês tudo ... com o devido respeito e equilíbrio, claro! ... poderá querer dizer que o fazem, pelas costas,  e de uma maneira que não vos respeita!

Por exemplo há uns dias presenciei um tipo a armar-se aos cucos para um amigo, com ambas as mulheres à frente, que andava com uma cana no carro desde que foi para o Sudoeste ... sem a namorada ... para ir à pesca de gajas .... e abria o leque (como os pavões ...) bajulando-se a si próprio, elogiando-se, ... até que a Mulher lhe disse ... <<é só garganta>> ... e provavelmente é ... mas acredito que muitos desses tipos são assim ... para ver o que vem à rede ... e quando algo lá for parar ... estão criadas TODAS as condições .... num Festival de Verão, sem a namorada presente, com alguns copos a mais bebidos, e a brincar a brincar ...  deixa de ser só garganta ... ;)
Já o tipo que se aceita, que goza abertamente consigo próprio ...  assumindo fazer figura de parvo ... seja por se cruzar com a Rita, seja por se afastar da Rita ... ou até só por estar preocupado com a única Mulher que lhe interessa e que quer de facto proteger ... e por isso tenta fazer algo, qualquer coisa ... acaba mal, ....
Já lá vão 11 anos de relacionamento, com muitas discussões claro, e com muita culpa minha ... mas SEMPRE com a certeza do que sinto, por quem o sinto, de quem quero ao meu lado e do que estou disposto a fazer por isso, TUDO!

Como se gere isto!? Qual a maneira mais correcta!?  ... tenho tentado pensar e aprender de modo a evoluir também aqui. Haja vontade e motivação e aqui é o Amor ... sim aquele que move montanhas! ;) Sobretudo se for incondicional ...
não confundir incondicionalismo com dizer o que se sente ou com ser genuíno, sincero ... desde que com calma e respeito ...
Ao não gerir bem as coisas ... Eu errei! ... assumo e tentarei de futuro não o repetir! Reconhecer algo, sobretudo se estiver errado não deve ser visto como sinal de fraqueza ... fraqueza é não assumir ... nem corrigir, fraqueza é fazer de conta que não aconteceu ... e não permitirei tal coisa a mim próprio! Muito menos quando magoei alguém que me é tão importante, mesmo que sem querer e sem intenção.








Mas lá está ... parece que a malta hoje em dia já não quer a verdade ... e sim uma boa história ou explicação.